sexta-feira, 17 de junho de 2016

MIOPIA OU MÁ-FÉ? COM OS ROYALTIES, MARICÁ DEVERIA SER EXEMPLAR, MAS...


Em Agosto de 2014, um artigo provocava intensa polêmica entre os leitores e abria espaço para pensarmos melhor nossa Maricá.

Sob o título "Falta de visão...podia e devia estar muito melhor", criticávamos a sanha desenfreada do  eleitoreiro capeamento asfáltico das ruas internas do município sem qualquer preparo do solo para tal e, ainda, sem rede de captação das águas pluviais. No mesmo artigo discutíamos o porquê de não adotar o calçamento com paralelepípedos ou blocos cimentícios inter-travados como ocorre em diversas partes do mundo há séculos.

Hoje, quase dois anos mais tarde e tendo assistido outras tantas obras alinhadas com o calendário eleitoral e prioridade altamente discutível, vemos com imensa tristeza que vivenciamos os mesmos problemas de sempre - alguns bem maximizados aliás - e percebemos o quão negativas mostram-se as perspectivas a curto ou médio prazo diante das ações do delirante alcaide e sua quadrilheira legenda.

Há cerca de um ano mais ou menos, o megalômano fez publicar uma obra de ficção em que detalhava os embustes eleitoreiros paridos para ilustrar um novo conto do sonho colorido; algo comparável às peças daquele conhecido publicitário ora recolhido a um Spa presidiário.

Teleféricos, conexões hidroviárias através do complexo lagunar da cidade, um moderníssimo aeroporto internacional, malha instalada de VLT, uns tantos milhares de empregos em um terminal de petróleo - indesejado pela maioria, diga-se - e até mesmo um resort digno de Hollywood, cujo projeto jaz insepulto depois do escandaloso trem da alegria à Europa para negociar o jabá coletivo, foi contemplado na inacreditável viagem ao "maravilhoso mundo de Bob", como diria um hilário senador.

No mundo real em que se vive, entretanto, grassam os buracos naquele asfalto frio e fajuto deitado sobre o chão de terra batida, sobram as favelizações de áreas urbanas, multiplica-se o desrespeito ao zoneamento da cidade e/ou o conchavo para sua modificação, por encomenda, para benefício dos apaniguados, que já resultou na divisão de lotes residenciais unifamiliares em dois, três e até quatro partes, mas que depois uma "nobre" legislação limitou em "apenas" duas, como se isso já não fosse o suficiente para explodir qualquer planejamento urbano...

A lista é gigantesca. Até uma inédita mendicância, que Maricá desconhecia e disso orgulhava-se, passou a existir no município, além, é claro, da crescente aglomeração de drogados que se reúne regular e habitualmente na praça central sem que seja alvo de qualquer ação repressora.

Ah! Quase escapava! Agora já temos engarrafamento em nossas principais vias, a maioria fruto da brilhante mente responsável por (des)organizar o trânsito, dar novos sentidos às ruas, estruturar a rentável indústria de multas..., enfim, estabelecer um pouco de caos na outrora aprazível Maricá.

Longe de ser implicância com nomes em particular, por mais que sobrem motivos para nutri-la e faltem argumentos para defendê-los, o que motiva esse retorno ao tema é a imensa tristeza de constatar o quanto de tempo, de recursos humanos e materiais, de oportunidades e de - por que não - vocação nata de nossa cidade se perdeu sem que pudéssemos ver um real progresso.

Sim, real porquanto não  é possível ter nada sequer longinquamente próximo a progresso quando seu resultado não se traduz em melhoria da qualidade de vida da sociedade, quando não pode ser medido pelos índices universais de IDH, quando não se pode ver refletido no crescimento social da região, porque, mais uma vez é preciso repetir:
Maricá incha, mas não cresce. Só crescem nossas mazelas urbanas, nosso inconformismo com esse descaso, com essa leniência atávica das instituições e das autoridades diante de tudo, esse abandono total das prioridades e esse oportunismo político imutável que visa tão somente os próprios interêsses.

A tristeza é saber o quanto poderia ter sido feito com os royalties desde que houvesse o mínimo cuidado no uso dos recursos, houvesse planejamento criterioso, visão de cidade, de futuro, de bem-estar social, não fisiologismo político e um degradante populismo que visa manter a pobreza moral, intelectual e material sob controle para fins praticamente feudais.

Pela proximidade da Cidade do Rio de Janeiro, esse cartão postal do Brasil em que políticos de mesma laia revesam-se na sua destruição há décadas, desde a nefasta passagem do pelego gaúcho cujo nome não é digno de ser citado aqui, nossa belíssima (belezas naturais, a bem dizer) Maricá poderia e deveria assemelhar-se a uma Vinhedo, São Paulo, alcunhada de "Principado de Vinhedo", onde o cuidado e o esmêro no trato da coisa pública saltam aos olhos e fazem da cidade, igualmente a cerca de 60 quilômetros de uma gigantesca metrópole, um destino cobiçado para os mais altos executivos que ali decidem instalar suas famílias.

Será que um dia teremos um ciclo virtuoso nesse pedaço de terra tão abençoado pela natureza e tão negligenciado pelos homens?
 
Lembrem-se de cada grão de incúria, de cada pedra abandonada nos seus caminhos, de cada necessidade fundamental mal atendida (saúde, por exemplo), quando as mesmas figuras saírem da hibernação em que permanecem por mais de três anos e vierem cabular seus votos a troco de cervejas, churrascos, mentiras, tijolos e mais tantas quimeras; lembrem-se da efemeridade de tudo o que lhes dão nessa hora e pensem se o melhor não seria mudar de atitude e exigir outro comportamento de todos à sua volta...

O futuro?

Ah! Você precisa entender o quanto ele depende de suas atitudes e decisões no presente!

Pense. Pense de novo e melhor.

Seja consciente e responsável pelos seus atos, porque o futuro está mais em suas mãos do que você imagina.







quinta-feira, 2 de junho de 2016

ACABOU O FOSSO IDEOLÓGICO QUE SEPARAVA GOVERNO E FORÇAS ARMADAS





Diante da permanente desconstrução da verdade que a imprensa ainda cooptada insiste em promover, é preciso estabelecer parâmetros reais que possam conduzir a sociedade por meio de valores comprometidos com a realidade histórica e não com as descaradas mentiras petralhas - que tentam de todas as formas turvar e distorcer a verdade dos fatos - usadas para propagar seu ideário vermelho.
Assim, vamos descortinar fatos e dados e abrir os horizontes sem essa contaminação do discurso gramcista que insiste em reescrever a história à luz de seu anacronismo ideológico.
"A Constituição Federal (Art. 142) estabelece que as Forças Armadas (FA) são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e disciplina sob a autoridade suprema do presidente da República e se destinam à defesa da pátria, à garantia dos Poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
Hierarquia e disciplina são princípios essenciais, pois sem elas as FFAA se fracionariam em grupos rivais, perderiam o caráter nacional e a confiança de toda a nação e se tornariam uma ameaça à sociedade. No âmbito do marco legal, a troca de governo não afeta a subordinação das FFAA aos poderes da União, pois ela é institucional, não pessoal.

Além da defesa da pátria, a forças têm a missão de garantir os três Poderes constitucionais. Em uma eventual crise entre eles, as FFAA se subordinarão ao que estiver amparado no marco legal. O equilíbrio e a harmonia entre os Poderes da União são indispensáveis à normalidade democrática, pois em uma improvável falência simultânea dos três as FFAA ver-se-iam obrigadas a agir, por iniciativa, para manter a paz interna e evitar a guerra civil e a dissolução de Estado e Nação.
No Brasil, a ideologia socialista começou a se firmar com a criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1922, filiado ao Partido Comunista da antiga URSS, ao qual se subordinou como exigiam as condições de filiação. A impatriótica submissão a país estrangeiro e à ideologia socialista antidemocrática incompatibilizou o PCB com as FFAA. Hoje, o PT (como pode ser visto no caderno de Teses de seu Congresso), os partidos aliados e suas lideranças são declaradamente socialistas, internacionalistas e filiados ao Foro de São Paulo, organização internacional que lidera a implantação desse regime na América Latina.

 
O socialismo, objetivo ainda não alcançado pelo PT, é um regime totalitário, com partido único ou hegemônico, impede a alternância de poder, não reconhece o direito de propriedade, centraliza os meios de produção e o planejamento econômico e elimina as liberdades fundamentais. Há uma total oposição aos ideais das FFAA, instituições conservadoras, mas não retrógradas e imobilistas.

Ao contrário do massificado pela propaganda socialista, o conservadorismo é progressista, mas quer o progresso com temperança e ao amparo da experiência, tradição, conhecimento e cultura anteriores, condições para uma evolução segura ao porvir.  As FFAA são instituições democráticas e não aceitam ideologias dogmáticas, implantadas por revoluções que desprezam o passado e, na busca de ilusórias utopias, eliminam a liberdade e abusam da violência.
O regime militar? Questionariam alguns. Era, sim, um regime de exceção, como reconheciam os presidentes militares, que sempre manifestaram o propósito de redemocratização. Autoritário, por limitar liberdades democráticas, mas não totalitário, que as eliminaria. A redemocratização uniu a nação e foi conduzida pelo próprio governo militar de forma gradual e sem retrocessos, após neutralizar a esquerda revolucionária que buscava implantar a ditadura socialista como as de Cuba e China, ainda hoje totalitárias.

Documentos dos governos petistas propõem ações para transformar nossa democracia em um regime socialista, sendo a imobilização das FFAA um objetivo intermediário, pois elas são um óbice a esse desígnio. Entre outras ações, podem ser listadas:
- controlar todos os setores da sociedade, inclusive a mídia, por meio de conselhos sociais, uma reedição tropical dos soviets da revolução bolchevista russa de 1917;

estabelecer a hegemonia do partido na sociedade, forma de controle prevista na estratégia gramcista e que antecede o assalto ao Estado e a imposição do socialismo;
- rever a Lei de Anistia para punir apenas os agentes do Estado que combateram a luta armada, a despeito dos pareceres da AGU e da PGR e da decisão do STF, em 2010, que confirmaram a abrangência ampla e geral da lei;

- modificar os currículos das academias militares e promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista, ou seja, politizar e submeter as FFAA ao projeto petista, transformando-as, de instituições nacionais apartidárias, em braço armado do partido como as SA e SS - na Alemanha nazista - e as FFAA bolivarianas, na Venezuela.
A profissão das armas é serviço e servidão. Serviço à pátria, compromisso perene e exclusivo com a nação e as instituições e servidão à Constituição Federal, às leis e aos valores morais e profissionais que regem a carreira das armas. Serviço e servidão, que nunca serão a pessoas, partidos ou associações de qualquer natureza. Serviço e servidão que fazem da carreira militar um nobre sacerdócio cívico, com o compromisso de sacrificar a vida pela pátria e instituições, se necessário.

O militar brasileiro é patriota por vocação e respeita e admira a história, as tradições e os heróis nacionais. O patriotismo das FFAA inclui o nacionalismo, mas não o xenófobo de setores bisonhos nem o tacanho de viés antiamericano dos socialistas. O nacionalismo socialista é materialista, supervaloriza a economia, mas não cultua a pátria e os valores nacionais, pelo contrário, busca desacreditá-los. Para as FFAA, a unidade nacional é cláusula pétrea, por isso repudiam a luta de classes pregada pelos socialistas e a corrosiva campanha lulopetista de "nós contra eles".
A crise de valores e a corrupção, que assolam o país, estão disseminadas pela liderança política - independente do partido - e não começaram com o PT, embora tenham chegado a níveis desastrosos com sua ascensão ao poder e o uso da corrupção como política de governo. A falta de credibilidade na classe política gera dúvidas, justificáveis, se o novo governo pautará sua conduta por princípios éticos, morais e cívicos. Porém, ao contrário do governo afastado, o atual é democrata e organizado com representantes da esquerda e da direita situados no centro democrático. Assim, não existe fosso ideológico entre o atual governo e as FFAA."

Este texto, que aqui reproduzo, foi escrito por Luis Eduardo Rocha Paiva e, apesar de seu título, poderia intitular-se "A IDEOLOGIA DA VAGABUNDAGEM REMUNERADA FOI PARA O FOSSO" - como bem cunhou meu irmão João Guilherme - e seria ainda mais adequado.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

UTOPIA IDEOLÓGICA - A SEMENTE DO CAOS (capítulo 3)

Em 6 de março passado o capítulo 2 desta trilogia foi aqui publicado após longo silêncio já explicado e justificado. 

De lá até hoje, mais de seis milhões de brasileiros voltaram às ruas - você estava lá? - naquele 13 de março que se avizinhava e agora sabem o quanto foi importante essa presença maciça da população para começar a mover o leme do país e recomeçar nossa história sob novas idéias, mais alinhadas com a decência, a meritocracia, a transparência, o respeito à propriedade e aos demais valores mais caros àquelas democracias verdadeiras e desenvolvidas que servem de modêlo aos não cooptados e lúcidos que sustentam esse Brasil.

Permanecêssemos todos no confôrto de nossas poltronas e nada teria ocorrido pois políticos só são capazes de ouvir o grito das ruas quando é incontestável e sonoro o suficiente para fazê-los temer por seu próprio futuro.

Enquanto escrevo esta última parte, ainda me regogizo com as imagens da rua na madrugada de domingo 17 para segunda-feira 18 de março, quando uma grande explosão de alívio, uma sensação de esperança, pareceu inundar os mais de 80% da população brasileira que cansou do esbulho petista e dos seus tantos puxadinhos partidos e pseudo movimentos socials movidos a mortadelas e pixulecos. 

Mesmo consciente de que apenas o primeiro passo foi dado e de que há muitos quilômetros a atravessar, é bom perceber que o povo brasileiro começa a pensar e desejar livrar-se das tutelas que lhe são impostas; é maravilhoso ver famílias inteiras fazendo valer seu direito de exigir de seus representantes atitudes que reflitam seu ideal de país e de futuro. 

Mesmo sabendo que o assunto do dia ainda é o impeachment e seu imediato desdobramento, as palavras do Sr.  Marcio Augusto Costa traduzem com enorme exatidão o que sinto diante de muitos daqueles que insistem em negar evidências ou rever conceitos  não sei se por antolhos ideológicos, vergonha de admitir equívocos de avaliação ou, quem sabe, por não admitir perder suas boquinhas... 

Foram tantos os arroubos de fantasia, tantos os argumentos descabidos e desprovidos de conexão com a realidade que andei vendo nas redes socials e escutando aqui e acolá que, embora jamais tenha vivido as experiências políticas descritas pelo Sr. Marcio ou mesmo compartilhado de suas idéias de então, me pareceu conveniente reproduzir seu desabafo por entendê-lo bastante adequado para sensibilizar os herméticos e os relutantes fazendo-os acordar deste torpor em que se encontram. 

Disse o Sr. Marcio Augusto Costa:

" Eu fui PT
Empunhei bandeira, colei adesivos.
Fiz campanha, fui a comícios, usei broches que eu mesmo comprei.
Sei de cor o jingles das campanhas de Lula.
Me irritei com as seguidas derrotas.
Gritei fora Collor!fora FHC! e até fora Globo!
Chamei o plano real de golpe.
Falei que o “bolsa escola” era forma do governo comprar voto dos mais pobres.
 
Eu fui PT por que tinha que ser
Eu sou trabalhador e não democrata, nem liberal, nem comunista.
Então o partido do Trabalhador era o lugar do cara que teve que trabalhar pra pagar a faculdade e sabia que teria que continuar trabalhando duro pra comprar sua casa, pra pagar seu carro, pagar suas viagens.
 
Eu fui PT por ideologia e não fisiologia
Não ganhei um centavo, não viajei de graça, não estudei de graça e nem acho graça nas coisas de graça.
Eu nunca achei golpe o pedido de impeachment de Collor, nem os diversos pedidos manejados contra Itamar ou FHC.
A constituição atribuiu a representantes eleitos pelo povo a função de processar e julgar o presidente e eu acho isso extremamente democrático.
 
Eu fui PT
No ano de 2002 enviei cartões de Natal aos meus queridos amigos com a frase: 
“A Esperança venceu o medo!”
Eu estava trabalhando na madrugada daquele Natal!
 
Eu fui PT
Se as redes socials existissem naquela época, eu compartilharia textos não de Jean Wyllys, ou Jandira, por que eu li Hélio Bicudo, Christovam Buarque, Fernando Gabeira... eles não são mais PT.
 
Fui PT até quando deu pra ser
Até o dia que o “T” de trabalhador foi substituído pelo “T” de trapaça, de trambique. 
Por que não, de Traição. 
O partido dos trabalhadores se agarrou ao poder e abraçou Renan, Sarney, Collor e até o Maluf.  Criou fantasias e contou mentiras, soltou a mão de pessoas honestas e sérias... e foi aí que deixei de ser PT.
 
Eu deixei de ser PT e me surpreendo com você
Que contesta o fato de Cunha ser o condutor do impeachment, mas jamais contesta o fato de ele ser um dos elos da aliança entre o governo e o PMDB.
 
Eu deixei de ser PT e me decepciono com você
Que acusa Temer de ser golpista e bandido, mas jamais contest o fato de ele ser, desde o primeiro mandato  o vice-presidente escolhido por Dilma.
 
Eu deixei de ser PT e me assusto com você
Que ao ouvir uma gravação não comenta o conteúdo, simplesmente afirma que escuta foi ilegal.
Que diante de uma delação pautada em provas  limita-se a falar em vazamento seletivo; que frente às evidências de fraude, corrupção e tantos crimes, ataca a imprensa, a polícia e o Juiz.
 
Eu deixei de ser PT e me envergonho de você
Que applaud políticos processados, julgados e condenados que entram de punho erguidos na cadeia como se fossem vencedores e não ladrões.
Que afirma que o mensalão não existiu, que não há escândalo da Petrobras, que não é dono do sítio, nem do apartamento.... Que nunca soube de nada.
Que afirma que não há crime em uma prática absolutamente ilícita só por que ela já foi feita por outros. 
 
Eu deixei de ser PT e me incomodo com você
Que vai às manifestações da CUT cheias de balões, camisetas vermelhas  e enormes palcos, tendas e militantes pagos, tudo custeado com dinheiro obrigatoriamente sacado dos salários de trabalhadores todos os anos com o nome de imposto sindical.
 
Eu deixei de ser PT e não entendo você
Que fala em defesa da democracia e afirma que pode ser golpe uma decisão de um congresso eleito pelo povo.
Que fala em voto livre,  mas aceita a compra de parlamentares com cargos e dinheiro. 
 
Eu deixei de ser partido e continuo trabalhador...  e você? "

A você que ficou em sua casa ou incomodou-se com as palavras acima, fica o convite à reflexão, a sugestão de reler os dois capítulos anteriores procurando sublimar os pontos mais contundentes de minhas avaliações e concentrar-se exclusivamente nos fatos que sublinham a realidade virtual de suas crenças ideológicas ou das fantasias que lhe distanciam do mundo real para tentar perceber o quanto essa "realidade" tem custado em qualidade de vida nos últimos anos. 

Talvez você acorde...

domingo, 6 de março de 2016

UTOPIA IDEOLÓGICA - A SEMENTE DO CAOS (capítulo 2)

Em Agosto de 2015 o primeiro capítulo da semente do caos foi aqui publicado. Depois, um longo silêncio se fez nesta página e, acreditem, foi totalmente intencional.


Havia muitas razões para calar nossa pequena tribuna, mas aquela que nos fez mudos foi a constatação da monumental tibieza política, cívica e republicana do brasileiro medíocre - é importante lembrar que medíocre, ao contrário do que tantos imaginam, significa mediano, comum - que preferiu o confôrto de sua poltrona às ruas onde os protestos da sociedade organizada clamavam por sua maciça presença.



Foram quase sete meses de afastamento, período em que refletimos à exaustão sobre o propósito de prosseguir emprestando a pena às idéias, sobre a valia de fazer das palavras um grito de alerta quando aquêles que deveriam ouví-lo sequer escutam seu próprio desassossêgo diante de uma país que se esfarela à frente dos seus próprios olhos. 



O pior dos cegos é aquele que se recusa a ver. Até hoje nos surpreendem as pessoas - algumas com razoável bagagem cultural - que se recusam a aceitar as lições dos fatos históricos e permanecem hipnotizadas diante das mais inverossímeis falácias e com isso carregam outras,  alienadas e imersas em sua sólida ignorância (lembrem-se, ignorantes são todos os que ignoram, ou seja, qualquer um de nós no limite de nosso conhecimento) para viajar na utopia das teorias comunistas que se  disfarçam sob o nome de socialismo enquanto pregam lutar pela democracia. Qualquer 10% de bom-senso leva a perceber a inconsistência do discurso,  mas pensar, nessa classe de cérebros desconectados da realidade que os consume, parece doer de forma lancinante...


Vocês se lembram do teor do primeiro capítulo? Talvez valha uma passada de olhos por lá, só para acompanhar melhor o que está por vir. 

Você foi às ruas naquele dia 16 de agosto ou foi um dos que esquentaram o sofá?

Pois é... De lá para cá o volume de águas passando debaixo da ponte cresceu, o líder fajuto das minorias desassistidas foi levado pela Polícia Federal para se explicar depois de calar-se, fugir de todo e qualquer confronto com a realidade que nos salta aos olhos e tentar vitimizar-se como sempre o faz quando não pode exercer sua imensa soberba. 

Praticamente todos os seus pares de trajetória política, toda sua quadrilha, já se encontra atrás das grades, negociando delação para minimizar a cana ou apavorado com a sombra, com quem lhe bate à porta ou sonhando com o japonês da Federal... O interessante é ver alguns ainda tentando convencer outros ou a si mesmo, de que tudo é golpe das elites, esquecendo-se de atinar para os vinhos caros, os charutos, os jatinhos, o scotch 30 anos, as palestras invisíveis de milhões, a riqueza ostensiva dos amigos da quadrilha e dos familiares e tantos outros sinais.

Enquanto isso, discutem enfiar-nos goela abaixo mais impostos - como se não bastassem os que nos tomam quase meio ano para pagar - e uma indecente volta da CPMF...

Enquanto isso, discute-se impeachment e/ou cassação de chapa pelo TSE, mas nossas alternativas, qualquer que seja o caminho percorrido, são tenebrosas...

Enquanto isso, apenas 42% dos domicílios brasileiros têm água e esgoto canalizados - e apenas 28% desse esgoto tratado antes de sua devolução ao meio ambiente - e índices criminosos de saúde pública sem que se ouça uma voz política a defender mudanças nessa tragédia que o mundo solucionou no século 18. 

Enquanto isso, você sente no bolso a volta do dragão da inflação, apavora-se com o fechamento de postos de trabalho e a perda do futuro, mas vê a corja instalada no poder receber o triplo de verba partidária com o financiamento público de campanhas auto-aprovado sem nenhum pudor como moeda de troca nos bordéis camerais. O cinismo é vulgar, escorchante.

Desastres ambientais quase bíblicos, escândalos intermináveis e cada vez mais substanciais em volume de verbas desviadas - e isso porque ainda não bateram à porta do BNDES - e uma acelerada desconstrução da imagem do país frente às agências de avaliação de risco, somam-se às dificuldades crescentes para conseguir enxergar um futuro possível de reverter um quadro mais que perverso para nossos filhos.

Ruas sem segurança, um estado abusivo que insiste em nos tutelar a vida, mas recusa-se a enxergar sua inépcia, sua incapacidade de dedicar-se àquilo que deveria ser sua razão precípua, sua eterna e descomunal vocação para o absurdo em detrimento do básico das sociedades estáveis e desenvolvidas que nos deveriam servir de exemplo, um crescente déficit habitacional que apenas reflete a imutável leniência das autoridades constituídas e essa arrogante vocação para o autoritarismo que reveste nossos governantes. 

Tudo em constante movimento de acumulação que mais e  mais nos afasta de um amanhã melhor e o brasileiro continua em casa; continua a reclamar nos bares, nas praias e nas conversas de esquina,  mas abstem-se de assumir sua posição de cidadão, recusa-se a empossar-se como o verdadeiro poder que deveria reger a nação e exigir tudo o que lhe é de direito e vem sendo negado desde sempre. 

É assim, de pequeno desvio em pequeno delito, de omissão e de ausência diante dos descalabros, diante dos descasos, diante das afrontas e das ignonímias continuamente perpretadas por poderes contaminados de uma ideologia pútrida, anacrônica e comprovadamente suicida para a sociedade, que a nação sucumbe apesar das evidências que deveriam nortear uma reação coletiva sem precedentes e à altura do caos que a destrói, mas que inexplicavelmente insiste em inexistir...

Dia 13 de março se aproxima. 

Saia do sofá! Vá para as ruas de sua cidade, de seu município, de seu vilarejo! 

Saia do silêncio! Saia da inércia que lhe engessa a mente e reaja! 

Junte-se àqueles que não mais desejam a tutela podre desse estado corrupto! Faça a sua parte e pinte de volta nossas cores na bandeira brasileira antes que a transformem definitivamente em vermelha, porque será o seu sangue a tinta utilizada por eles.

ACORDA BRASIL, ANTES QUE SEJA TARDE!







sábado, 5 de março de 2016

O ÓRFÃO DE QUALIDADES ÉTICAS


"Assisti ao discurso do ex-presidents Lula da forma  mais isenta possível e mente aberta.

Obviamente não esperei grandes mudanças, mas imaginei que haveria um pouco de auto-contrôle como demonstração de inteligência. 

Aguardei alguma demonstração de contenção, se não por gestão de imagem, mas como medida destinada a não aumentar a grande fogueira dos ódios deste país. 

Imaginei que, dado o momento inédito em sua vida, manifestaria algum respeito aos milhões de brasileiros cujas mentes não se curvam à retórica barata. 

Em vão: palavras vazias, em uma fala recheada de clichês e tolices, plena de auto louvação, piadas grosseiras, delírios narcisistas e frases piegas que comoveriam apenas pré-adolescentes ou amigos encharcados de boa vontade. 

Houve, ainda, uma revisita a dois clássicos: a velha estratégia vitimista sobre a perseguição movida pelas elites por ser o redentor dos pobres e o desejo sádico de alimentar um pouco mais o ódio que hoje divide seus compatriotas. 

Observei-lhe o rosto contorcido, a expressão raivosa, a incapacidade de se reconhecer como cidadão comum submetido às leis do país e entendi: Lula hoje accredita piamente na imagem que ele e seus aduladores criaram. 

Para ele, é inadmissível que seja investigado ou conduzido a depor; trata-se de falta de respeito. Logo ele, tão grandioso, dotado de tal inteligência que chega a mencionar com desprêzo os que dedicam longos anos ao estudo.

Atrás dele, uma multidão aplaudia, mesmerizada. Então me veio à memória uma história que se conta sobre Julio Cesar. Ao entrar triunfante em Roma, quase semideus em sua dourada carruagem, trazia consigo um escravo que o prevenia contra os excessos da vaidade, lembrando-o, de tempos em tempos: "Memento mori!" (Lembra-te de que és mortal!).

É uma pena que Lula não tenha entre os seus quem o alerte para os excessos intoxicantes da vaidade que cega. 

É uma pena que Lula ame apenas a si mesmo e não ao país, transformando uma parte significativa de nossa população em inimigos sobre quem açula seus cães. 

É uma pena que ninguém lhe diga, francamente, que o rei está nu, que sua habilidade de comunicação só funciona para does segmentos: os que se renderam a essa nova forma de fanatismo criada por seu partido e a parcela da população cuja ausência de educação é louvada como vantagem e não como vergonha. 

Despido de riquezas morais, passará à história como fanfarrão histriônico. 

Órfão de qualidades éticas, não con segue reconhecer que ultrapassou todos os limites. 

Desabituado à reflexão, não vê além dos limites das necessidades básicas. 

Embriagado pela bajulação, não consegue ver nas críticas de milhões de brasileiros a advertência severa para seus excessos. 

Tudo isso, Lula já havia demonstrado sobejamente em ocasiões anteriores. Hoje apenas reafirmou, em rede nacional, que desconhece o significado da palavra grandeza."

O texto acima foi brilhantemente escrito pela colega  jornalista Sonia Zaghetto e tomo a liberdade de fazer minhas as suas palavras pelo tanto de oportuno, de cristalino em seu descortino, de fiel à beleza de nosso idioma culto e  pelo distante que se coloca da enorme vulgaridade lingüística que tem dominado os meios de comunicação do país. 

Precisamos de mais Sonias Zaghetos, de mais ortodoxia nas redações e de mais cidadãos indignados nas ruas exigindo ética, moralidade e civismo daqueles que deveriam nos representar, mas tudo o que fazem é legislar em causa própria e à revelia dos princípios republicanos.

sábado, 1 de agosto de 2015

UTOPIA IDEOLÓGICA, A SEMENTE DO CAOS (capítulo 1)

Há muitos anos nosso Brasil debate problemas antigos, recorrentes e já completamente fora de pauta nos países civilizados. Calma, não estamos dizendo que a Belíndia não é civilizada! Até é, mas ainda apresenta tantos traços de incivilidade, tantas evidências de pouca seriedade no trato com a coisa pública ou na busca por soluções pelo que nos aflige no cotidiano, que não dá para ombrear com aquelas que de fato o são, na teoria e na prática. 

Ainda está em dúvida? Lhe aflige pensar que estamos no patamar das sub-civilizações africanas? Então, nobre leitor(a), comece a olhar mais atentamente aos sinais da utopia reinante nos palácios... Aliás, olhe mais ao largo, não só para os símbolos do poder instalado, mas as ramificações, os desdobramentos e conseqüências dessa ideologia arraigada ao passado que permeia todos e cada um de nossos passos nesse raso exercício de cidadania tosca da sociedade brasileira.

Qualquer que seja o ângulo do olhar, sempre haverá o desconfôrto das estatísticas oficiais dominadas por distorções impostas pela ideologia política reinante. Ah!, dirão alguns, lá vem o exagêro! É mesmo, está acreditando em excesso, em preciosismo na análise? Então vamos caminhar juntos, ponto a ponto, para ver se há razões para franzir o cenho ou tudo pode se resolver com sorrisos, afagos e churrascos às portas das próximas eleições, quaisquer que sejam elas.

Trabalhamos cerca de cinco meses por ano apenas para pagar impostos, embora tenhamos praticamente zero de contrapartida em serviços públicos básicos ou mesmo infra-estrutura urbana. 

Vivemos "protegidos" por muros, grades ou segurança privada, enquanto os bandidos - menores ou maiores - andam à solta por todos os lados e sempre com ONGs e advogados a postos para defendê-los da sociedade opressora que os levou a marginalizar-se... Querem de todas as formas nos imputar a culpa por isso, mas não há uma só política inclusiva para menores infratores ou uma ação formadora de ofícios para os apenados maiores. 

Sob a ótica canhestra das injustiças sociais, crescem as hordas criminosas de MST, MTST e outras siglas que abrigam os bandidos de apoio às ideologias de esquerda que recebem apoio governamental e verbas generosas para invadir, depredar, roubar e até matar, mas seguem livres; como terroristas que são, deviam temer a lei, mas o país - quer dizer, seus políticos -recusa-se a tipificar o crime de terrorismo, talvez para preservar boa parte da classe dirigente atual...

Debaixo de outras siglas, igualmente habitadas em grande parte por marginais e desqualificados de toda sorte, também residem mecanismos de proteção, compadrio, sinecuras e muito dinheiro suspeito, mas aí a sociedade é acionista do êrro. A bem da verdade é preciso ressaltar que, ao reunir mais de 70% da população nos números do analfabetismo, o país não poderia colher outro resultado. Analfabeto funcional, analfabeto, primeiro grau incompleto, primeiro grau completo, segundo grau incompleto, os nomes são muitos e o resultado o mesmo: atraso institucional, baixos índices de produtividade, serviços primitivos. O surpreendente é a leitura das estatísticas chapa branca que pintam a pátria com as cores da utopia na propaganda ideológica e na obediência ao decálogo gramsciano que nos é servido. Ainda faltam os grandes cartazes com a figura do líder maior, do mito santificado à semelhança dos pares pútridos que permanecem nas "democracias" signatárias do FSP. 

Assim, enquanto os filhos entram e saem das escolas sem mudar seu estágio de conhecimento, sem poder sonhar em mudanças significativas que preparem seu amanhã, a estratégia de Gramsci carimba a ideologia de gênero na primeira escola, progride com a revisão da história que glorifica criminosos, ladrões e inúteis, solidificando a obra de desconstrução dos valores que deveriam balizar a sociedade. 

As exceções, poucas é fato, mas nem por isso menos dignas de registro, só reforçam a certeza de que o caminho virtuoso não depende de aumento de verbas ou revoluções dos métodos de ensino, apenas a aplicação correta, séria e constante de esforços auditados rotineiramente, meritocracia e qualificação dos professores, tudo com a participação efetiva da família no comprometimento com o resultado. A velha sala de aula, disciplinada, com ordem, respeito e deveres, resolve mais que as novas tão em sintonia com a linguagem deturpada do lulopetismo. Pena que nossa imprensa, tão cooptada, negue espaço para as notícias de real importância como o ouro olímpico dos atletas da matemática ou o salto de qualidade nos resultados daquelas pequenas escolas de interior que seguiram a cartilha do ensino ao invés da ideologia.

Temos um "programa assistencial" sem saídas, que apenas cresce em volume atendido na razão direta das eleições, mas não devolve o beneficiário para a cadeia produtiva nem prepara seus dependentes para um futuro melhor; ao contrário, torna-os herdeiros da perversa dependência, encurralados pelo destino pintado colorido por uma propaganda mentirosa que os escraviza. Distribuem-se peixes, mas a ninguém é dada uma vara de pescar...

Lembram-se dos muros e grades citados acima? Pois é, há outro cinturão a nos aprisionar em todas as cidades do país, ainda que em algumas isso seja mais visível que em outras. São os chamados "aglomerados sub-normais", neologismo criado pelas estatísticas - não é à toa que a ela nos referimos como a ciência do êrro - para denominar as favelas, as tais "comunidades carentes" ou AIS (Área de Interêsse Social) que proliferam sem dó por todos os lados. Ali, onde não há sinal de progresso humano, o profissional fardado se torna o novo Gerente daquele mesmo tráfico que antes aterrorizava o asfalto e a periferia acintosamente armado e que hoje age à sombra da ocupação policial insipiente, sem métodos investigativos que conduzam a resultados, reduzam a guerrilha urbana em que vivemos ou garantam o ir e vir em segurança. É uma pantomina gigantesca, um desperdício de dinheiro, vidas e esforços, que a nossa imprensa a soldo incensa sem pudor algum, sob os auspícios da utopia ideológica da esquerda caviar...

A culpa? Ora, a culpa é sempre das elites, dessa classe média fascista, opressora, que trabalha e gera emprêgos, que paga sobre o lucro presumido antes de produzir e deve queixar-se ao bispo se quebrar; a culpa é do capital, esse vilão maior do capitalismo selvagem. 

O curioso é ver que nenhum dos arautos do paraíso terrestre explica o que virá substituir a vil moeda. Será a volta ao escambo? Talvez seja mesmo essa a visão da corja, visto que os bilhões que rolam nos propinodutos e distribuem pixulecos aos novos ricos companheiros vêm todos em troca de favores, consultorias fantasma e outras firulas de quem odeia trabalhar, mas adora luxos e benesses. Não por acaso os ditadores e déspotas idolatrados acumulam a riqueza infame que o regime insiste em dividir quando sacado de quem produz, mas recusa-se a socializar o que leva naquela operação que jura ser legal por mais imoral que seja. 

Começou a coçar a cabeça? Sente aquela pulga atrás da orelha? Relaxe, estamos apenas no começo, é só o primeiro capítulo, a saga é longa e a lista vai deixar seus cabelos em pé por muito tempo. Provavelmente sua vontade de sair às ruas no dia 16 de agosto irá aumentar tanto que será difícil resistir..., mas é isso mesmo que desejamos para você: inquiete-se, grite, reclame, aprume suas atitudes cotidianas e exija um mínimo de moral, bons costumes e compostura ao seu redor. Você vai se surpreender com o resultado!


quinta-feira, 9 de julho de 2015

A CRISE PERTENCE À SOCIEDADE, A CRISE É DE VALORES

As linhas que pretendíamos escrever já o foram há algum tempo de forma indiscutível, irretocável e absolutamente a salvo de senões.

Sua autora, a Aspirante Carla Andrade, integrou a Primeira Turma Feminina da Escola Naval e sentiu a dimensão do vazio que seu ineditismo provocou na grande mídia do país. Percebeu a profundidade da tragédia social brasileira ao olhar a fotografia que registrava aquele momento e a solidão dos valores que ali via representados. 

Resolveu então descrever toda a sua incompreensão, toda sua incredulidade com o que vem corroendo nosso tecido social e os meios de comunicação que o permeiam. Suas palavras ecoam com a força da verdade desnudada e precisam ser lidas, relidas e provocar longa reflexão em cada um de nós.


"Uma foto e vários sentimentos"

"De todas as transformações que nosso país enfrenta, não tenho dúvida de que a pior delas é  inversão de valores. Não estou falando dos atores, mas da platéia.

Quem determina o sucesso de um espetáculo é o público. Por melhor que sejam os atores e o enredo, se o público não aplaudir a turnê acaba.

Nós somos a sociedade, nós somos a platéia, nós dizemos qual espetáculo deve acabar e qual precisa continuar. Se nós estamos aplaudindo coisas erradas, se damos ibope a pessoas erradas, de que estamos reclamando afinal?

Somos nós que continuamos consumindo notícias de bandidos presos e condenados.

Somos nós que consumimos notícias de arruaceiros que ganham mesada para depredar o nosso patrimônio.

Somos nós que damos trela para beijaços, toplessaços, marcha de vadiaças, dos maconheiraços, dos super-heróis que batem ponto em "manifestações" (e que gostam de cozinhar-se dentro  de uma fantasia num sol de 45 graus) e todos os tipos de histéricos performáticos que querem seus 15 minutos de fama.

Quando fazemos isso, estamos dando-lhes valores que não têm. Estamos dando-lhes atenção. Estamos dedicando-lhes nosso precioso tempo.

Passou da hora de dar um basta nisso!

Porque os nossos jornais estão recheados de funkeiros ao invés de medalhastes olímpicos do conhecimento?

Porque vende-se mais jornal com notícia de um funkeiro que largou a escola por já estar milionário, do que de um aluno brilhante que supera até seus professores?

Porque sabemos os nomes dos BBBs e não sabemos os nomes dos nossos cientistas que palestraram no TED?

Porque muitos não sabem nem o que é o TED? Ou Campus Party?

Porque um evento histórico para o Brasil como o ingresso da primeira turma feminina da Escola Naval não é noticiado?

Porque um monte de alienadas com peitos de fora merecem mais as manchetes do que as brilhantes alunas que conquistaram as primeiras 12 vagas da mais antiga instituição de ensino superior do Brasil?

Porque continuamos aplaudindo a barbárie, se ainda temos valores?

O país não mudará se nós não mudarmos o foco!

Os políticos não mudarão se nós não refletirmos a sociedade que queremos!

Já passou da hora de nos posicionarmos!

Ostracismo a quem não merece a nossa atenção e aplausos para quem faz por merecer.

Merecer! Precisamos devolver essa palavra para o nosso dicionário cotidiano.

Meu coração ao olhar essa foto, hoje, se divide em vários sentimentos distintos.

Muito orgulho de ser mulher e me ver representada por essas guerreiras.

Elas não estão fazendo arruaça pleiteando igualdade. Elas conquistaram a igualdade estudando e ralando muito.

Elas tiveram que carregar na mão as suas malas pesadas no dia em que entraram na Escola Naval. Não puderam puxar na rodilha, não! Tiveram que carregar na mão, igual aos aspirantes masculinos.

Elas foram e fizeram.

Ao contrário das feministas de toddynho, não estarão nas manchetes dos jornais de hoje e isto me evoca outros sentimentos.

Sentimentos de revolta, de vergonha e de constrangimento frente a essas mulheres que não serão chamadas de heroínas por apresentadores de televisão, mas estão dispostas a morrer como heroínas por nosso país.


Parabéns, Primeira Turma Feminina da Escola Naval de 2014.

Vocês são a dúzia que vale mais que milhares!"


Aspirante Carla Andrade